O Que Podemos Aprender com a Oração Dedicatória do Templo de Fortaleza? Uma Análise Doutrinária

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A oração dedicatória do Templo de Fortaleza é rica em doutrina, simbolismo e gratidão. Ela segue o padrão encontrado em outras orações dedicatórias de templos de Joseph Smith, Wilford Woodruff, Gordon B. Hinckley e Russell M. Nelson, nas quais há reconhecimento da majestade de Deus, gratidão, dedicação do templo e súplicas por bênçãos sobre Seu povo. Abaixo está uma análise dos principais ensinamentos. Leia a oração dedicatória do Templo de Fortaleza clicando aqui.

1. A oração começa com gratidão

A primeira característica marcante é que ela não começa com pedidos, mas com gratidão.

“Com o coração cheio de gratidão e amor…”

Esse padrão aparece repetidamente nas escrituras. Antes de pedir bênçãos, os servos do Senhor reconhecem aquilo que Deus já fez. Isso demonstra humildade e dependência do Senhor.

A gratidão é expressa por:

  • O Evangelho restaurado.
  • O sacerdócio.
  • O templo.
  • Os profetas.
  • Os pioneiros.
  • Os trabalhadores da construção.
  • A Expiação de Jesus Cristo.

Isso ensina que um coração agradecido prepara o espírito para receber revelação.

2. O templo existe por causa da Restauração

Logo no início, a oração conecta o templo diretamente à Restauração.

Ela ensina uma sequência doutrinária:

  • Deus restaurou o evangelho.
  • Restaurou o sacerdócio.
  • Restaurou as chaves.
  • Portanto, hoje existem templos.

Sem a restauração das chaves do sacerdócio, nenhuma ordenança do templo poderia ser válida eternamente. Isso mostra que o templo é uma consequência direta da Restauração iniciada por Joseph Smith.

3. O propósito principal do templo é levar as famílias de volta à presença de Deus

A oração declara que as ordenanças permitem que os filhos de Deus recebam promessas eternas para viver novamente com o Pai e com Cristo. Essa talvez seja a frase doutrinária mais importante de toda a oração. Ela resume todo o propósito do plano de salvação:

  • fazer convênios;
  • guardar esses convênios;
  • receber exaltação.

O templo não é apenas um edifício bonito. É um local onde Deus oferece o caminho para voltar à Sua presença.

4. O Brasil é tratado como uma terra escolhida

Há um trecho muito interessante quando a oração fala do Brasil. Ela cita, de maneira poética, versos da Canção do Exílio:

“terra que tem palmeiras onde canta o sabiá…”

Essa referência demonstra carinho pelo país e lembra que Deus trabalha entre todos os povos. Ao mesmo tempo, destaca que milhares de santos brasileiros ajudaram a estabelecer o Reino de Deus, não é apenas uma homenagem patriótica, é o reconhecimento de que Deus preparou esta terra para receber Seu evangelho.

5. Deus trabalha através de pessoas comuns

A oração dedica vários parágrafos para agradecer:

  • pioneiros;
  • líderes;
  • missionários;
  • membros;
  • trabalhadores da construção;
  • voluntários.

Isso mostra um princípio importante, embora a obra seja do Senhor, ela acontece por intermédio de pessoas comuns que oferecem seu tempo e seus talentos. Assim como ocorreu na construção do tabernáculo de Moisés e do templo de Salomão, o Senhor utiliza o esforço de Seus filhos.

6. O centro da oração é Jesus Cristo

Mesmo sendo uma oração dedicatória do templo, o centro continua sendo Cristo. Há um momento em que praticamente toda a atenção se volta para Sua Expiação.

Isso ensina que:

  • o templo aponta para Cristo;
  • as ordenanças apontam para Cristo;
  • os convênios apontam para Cristo;
  • a salvação somente acontece por Cristo.

Sem Sua Expiação, nenhuma ordenança teria efeito eterno.

7. A dedicação é muito mais ampla que o prédio

A sala de selamentos do Templo de Fortaleza.

Algo interessante é a riqueza de detalhes.

São dedicados:

  • terreno;
  • fundações;
  • paredes;
  • jardins;
  • mobília;
  • batistério;
  • salas de investidura;
  • salas de selamento;
  • altares;
  • torre;
  • anjo Morôni;
  • áreas auxiliares.

Isso lembra o padrão encontrado no Antigo Testamento, quando tudo o que era usado para servir ao Senhor era consagrado. Após a construção do tabernáculo, o Senhor ordena a Moisés:

“Então tomarás o azeite da unção, e ungirás o tabernáculo, e tudo o que há nele; e o santificarás com todos os seus pertences, e será santo. Ungirás também o altar do holocausto, e todos os seus utensílios; e santificarás o altar; e o altar será santíssimo. Então ungirás a pia e a sua base, e a santificarás.” (Êxodo 40:9–11)

Quando Arão e seus filhos são consagrados, Moisés também consagra o tabernáculo e seus objetos:

Então Moisés tomou o azeite da unção, e ungiu o tabernáculo, e tudo o que havia nele, e o santificou; E dele espargiu sete vezes sobre o altar, e ungiu o altar e todos os seus utensílios, como também a pia e a sua base, para santificá-los.

Em 1 Reis 8 na dedicação do templo construído por Salomão, embora o texto enfatize mais a oração dedicatória, fica claro que todo o templo e seus utensílios foram preparados exclusivamente para o serviço do Senhor (veja também 1 Reis 7, que descreve detalhadamente a fabricação dos objetos sagrados).

Quando a oração dedica o terreno, as fundações, os jardins, a mobília, o batistério, as salas de investidura, os altares e todas as demais áreas do templo, ela segue esse mesmo padrão bíblico: separar e consagrar ao Senhor tudo o que será usado em Sua obra. Isso demonstra que não apenas o edifício é considerado sagrado, mas também cada espaço e objeto destinado às ordenanças.

Esse padrão também ensina um princípio espiritual para nossa vida. Assim como os utensílios do tabernáculo foram separados para um propósito santo, nós também somos convidados a nos tornar um “povo santo”, consagrado ao Senhor em tudo o que fazemos (veja Êxodo 19:5–6 e Romanos 12:1).

Nada é considerado comum. Tudo pertence ao Senhor.

8. O templo deve transformar pessoas

A oração define o que essa casa deve ser.

Ela pede que seja:

  • casa de oração;
  • casa de jejum;
  • casa de fé;
  • casa de instrução;
  • casa de revelação;
  • casa de paz;
  • casa de consolo.

Perceba que quase todas essas características descrevem o efeito que o templo produz nas pessoas.

O foco nunca é o edifício.

O foco é a transformação espiritual.

9. Existe um pedido de proteção espiritual

Um aspecto interessante é a súplica:

“…contra qualquer mão impura ou influência maléfica…”

Isso lembra que o templo é considerado terreno sagrado.

Assim como o Senhor colocou querubins para guardar o Jardim do Éden e Sua glória repousava sobre o Santo dos Santos, pede-se que o templo permaneça protegido de qualquer influência contrária.

10. O templo é uma bênção para quem nem entrou nele

Um dos trechos mais bonitos afirma:

“Que todas as pessoas que passarem por esta região…”

Não são apenas os membros da Igreja que são lembrados.

A oração pede que qualquer pessoa que passe perto do templo possa sentir a influência de Deus.

Isso mostra que os templos funcionam como um testemunho silencioso da existência de Deus.

11. O templo e a obra missionária caminham juntos

Outro princípio importante.

A oração liga diretamente:

  • templo;
  • missionários;
  • membros;
  • conversão.

Ela pede que as pessoas sintam desejo de conhecer o evangelho e depois “venham, vejam e permaneçam com Cristo”.

Isso ensina que a obra missionária não termina no batismo.

Ela culmina no templo.

12. O templo influencia toda uma nação

Vista traseira do Templo de Fortaleza.

No final, a oração amplia seu alcance.

Ela pede bênçãos para:

  • Fortaleza;
  • Ceará;
  • Brasil;
  • governantes;
  • povo.

Esse padrão aparece em diversas orações dedicatórias.

O templo não existe apenas para beneficiar seus frequentadores.

Ele também representa uma fonte de influência espiritual para toda a região.

13. O símbolo do “farol”

A oração termina chamando o templo de:

“…um farol…”

Essa talvez seja uma das imagens mais bonitas.

Um farol:

  • permanece firme;
  • permanece iluminado;
  • orienta quem está perdido;
  • aponta um caminho seguro.

Da mesma forma, o templo permanece como um lembrete constante de Cristo em um mundo marcado por incertezas.

Aplicação pessoal

Embora essa seja uma oração para dedicar um templo, seus princípios podem ser aplicados à vida de cada discípulo de Cristo. Assim como o templo é dedicado ao Senhor, também podemos dedicar nossa própria vida a Ele. A oração nos ensina a cultivar gratidão antes de fazer pedidos, reconhecer a centralidade da Expiação de Jesus Cristo, honrar os convênios, servir com fidelidade e buscar a influência do Espírito Santo diariamente. Ela também nos convida a ser “faróis” em nosso ambiente, refletindo a luz de Cristo por meio de nosso exemplo, de nossa retidão e de nosso amor ao próximo.

Em essência, a oração dedicatória do Templo de Fortaleza apresenta uma visão do plano de Deus: um Pai amoroso que restaura Seu evangelho, concede autoridade por meio do sacerdócio, estabelece templos para realizar ordenanças eternas e convida todos os Seus filhos a retornarem à Sua presença por intermédio de Jesus Cristo. O templo torna-se, assim, não apenas um edifício sagrado, mas um símbolo vivo de esperança, redenção, convênios e da promessa de vida eterna para todos os que permanecem fiéis.

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