Irmãos e irmãs, todos nós passamos por momentos de preocupação. Em algumas fases da vida, preocupamo-nos com nossa família; em outras, com o trabalho, as finanças, os filhos, a saúde, uma decisão importante ou simplesmente com aquilo que acontecerá amanhã. Há também preocupações que carregamos silenciosamente. Podemos conversar normalmente com outras pessoas, cumprir nossas responsabilidades e até sorrir, enquanto interiormente estamos tentando lidar com pensamentos que não nos deixam em paz.
É interessante perceber que as escrituras não ignoram esses sentimentos. Elas não apresentam os discípulos de Cristo como pessoas que nunca enfrentam tristeza, medo ou preocupação. Pelo contrário, encontramos repetidas vezes homens e mulheres fiéis enfrentando situações extremamente difíceis e aprendendo a confiar em Deus justamente nesses momentos.
Um dos ensinamentos mais bonitos sobre esse assunto está em Filipenses 4:6–7:
“Por nada estejais ansiosos; antes, as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplicas, com ação de graças. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o vosso coração e os vossos pensamentos em Cristo Jesus.”
Gostaria de refletir sobre algumas expressões desses versículos e sobre como podemos aplicá-las em nossa vida.
“As vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus”
Uma das palavras que mais me chama a atenção nessa passagem é “tudo”. Paulo ensina que nossas petições devem ser apresentadas a Deus em tudo. Isso significa que não precisamos procurar o Pai Celestial apenas quando enfrentamos grandes crises. Podemos conversar com Ele sobre aquilo que está acontecendo em nosso cotidiano, sobre uma preocupação com nossos filhos, uma dificuldade no trabalho, um problema financeiro, uma decisão que precisamos tomar ou mesmo um sentimento que não conseguimos explicar completamente.
Às vezes podemos pensar: “Esse problema é pequeno demais para levar a Deus” ou “Eu deveria conseguir resolver isso sozinho”. Entretanto, a oração nos ensina justamente o contrário. Nosso Pai Celestial deseja que tenhamos um relacionamento com Ele. Uma oração não precisa conter palavras sofisticadas nem ser um discurso perfeito; precisa ser sincera. Podemos simplesmente dizer: “Pai Celestial, estou preocupado. Não sei exatamente o que fazer. Ajuda-me a enxergar o caminho e dá-me forças para enfrentar esta situação”.
Há algo muito especial quando transformamos nossas preocupações em oração. O problema talvez não desapareça naquele momento, mas deixamos de carregá-lo completamente sozinhos. Reconhecemos que existe Alguém maior do que nós, que conhece aquilo que não conseguimos enxergar e que pode nos orientar.
A resposta nem sempre é a retirada do problema
Existe um detalhe muito importante nessa escritura. Paulo não diz: “Apresente seus problemas a Deus e imediatamente todos eles desaparecerão”. A promessa que vem depois da oração é diferente. Ele diz que “a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o vosso coração e os vossos pensamentos em Cristo Jesus”.
Muitas vezes nossas orações começam assim: “Pai Celestial, muda esta situação”. E não há nada de errado em pedir isso. Entretanto, algumas vezes a situação não muda imediatamente. O problema continua existindo, a decisão ainda precisa ser tomada, a dificuldade ainda precisa ser enfrentada e talvez a resposta que desejamos ainda não tenha chegado. Nesses momentos podemos até nos perguntar se Deus realmente ouviu nossa oração.
Talvez seja importante compreender que, enquanto esperamos que Deus mude nossas circunstâncias, Ele pode estar trabalhando primeiro em nós. A situação externa pode continuar a mesma, mas alguma coisa começa a acontecer dentro do nosso coração. Recebemos forças para continuar, conseguimos pensar com mais clareza, sentimos esperança onde antes havia somente medo e, algumas vezes, sentimos uma tranquilidade que não conseguimos explicar.
É justamente isso que Paulo chama de “a paz de Deus, que excede todo o entendimento”. É possível olhar para uma situação e pensar: “Eu ainda não sei como isso será resolvido, mas sinto que o Senhor está comigo”. Essa paz não vem porque conhecemos todas as respostas. Ela vem porque conhecemos Aquele em quem depositamos nossa confiança.
“Guardará o vosso coração e os vossos pensamentos”
Outra palavra muito significativa usada por Paulo é “guardará”. Podemos imaginar alguém colocado de guarda diante de algo precioso, protegendo aquilo que está sob seus cuidados. Paulo ensina que a paz de Deus pode guardar duas partes extremamente importantes de nossa vida: nosso coração e nossos pensamentos.
Muitas das nossas maiores batalhas acontecem justamente nesses dois lugares. O coração pode ficar cheio de medo, tristeza ou desânimo, enquanto nossa mente começa a criar inúmeros cenários sobre aquilo que poderá acontecer. Às vezes determinada situação aconteceu apenas uma vez, mas nossa mente a repete dezenas de vezes. Pensamos: “E se não der certo? E se eu perder isso? E se acontecer alguma coisa com minha família? E se amanhã for pior?”. Podemos começar a sofrer hoje por acontecimentos que nem sequer sabemos se ocorrerão amanhã.
Nesses momentos, podemos aprender a apresentar também nossos pensamentos ao Senhor. Podemos orar: “Pai Celestial, esta situação está ocupando minha mente. Vou fazer aquilo que está ao meu alcance, mas aquilo que eu não consigo controlar eu entrego a Ti”. Isso não significa abandonar nossas responsabilidades. Pelo contrário, fazemos nossa parte e confiamos que o Senhor nos ajudará naquilo que ultrapassa nossas forças.
Fé não significa conhecer antecipadamente todas as respostas. Muitas vezes, fé significa continuar caminhando enquanto ainda não conseguimos enxergar toda a estrada.
“Com ação de graças”
Paulo acrescenta ainda uma expressão que pode passar despercebida: devemos apresentar nossas súplicas “com ação de graças”. Ele não nos ensina apenas a pedir; ensina também a agradecer enquanto pedimos.
Imagine uma pessoa enfrentando uma grande dificuldade e orando: “Pai Celestial, estou preocupado e preciso da Tua ajuda. Mas também quero agradecer por minha família, pelas oportunidades que já recebi, pelas pessoas que colocaste em meu caminho e pelas vezes em que já me ajudaste anteriormente”. Talvez o problema ainda esteja presente quando a oração terminar, mas algo importante aconteceu: aquela pessoa se lembrou de que a dificuldade atual não apaga todas as evidências anteriores da bondade de Deus.
A gratidão não significa fingir que os problemas não existem. Também não significa dizer que tudo está bem quando não está. Gratidão significa reconhecer que os problemas não são as únicas coisas existentes em nossa vida. Mesmo durante períodos difíceis, ainda podemos encontrar bênçãos, pessoas que nos amam, oportunidades de servir, experiências que nos ensinaram alguma coisa e, principalmente, a presença do Salvador.
Quando lembramos de como Deus já nos sustentou anteriormente, encontramos motivos para confiar que Ele continuará conosco.
A alegria do coração
Essa ideia também pode ser relacionada a um ensinamento encontrado em Eclesiástico 30:22, que nos aconselha a cultivar a alegria do coração e a não permitir que a tristeza domine nossa existência. Esse ensinamento não significa que uma pessoa de fé precisa estar alegre o tempo todo, nem que sentir tristeza seja sinal de falta de fé. Existem momentos em que choramos, sofremos e precisamos de ajuda. O próprio Salvador experimentou profunda tristeza e angústia.
O princípio que podemos aprender é que não devemos alimentar continuamente aquilo que destrói nossa esperança. Se todos os dias concentrarmos nossa atenção apenas no que está errado, gradualmente teremos dificuldade para perceber aquilo que Deus ainda está fazendo por nós. Por outro lado, quando procuramos conscientemente reconhecer Suas bênçãos, começamos a perceber pequenas manifestações de Sua bondade.
Pode ser uma conversa com alguém que amamos, uma oração que trouxe consolo, uma escritura que pareceu responder exatamente àquilo de que precisávamos, uma oportunidade inesperada, um pequeno progresso depois de muito esforço ou simplesmente a sensação de que devemos continuar tentando. Nem sempre as manifestações do cuidado de Deus chegam de maneira extraordinária. Muitas vezes, elas aparecem silenciosamente nas pequenas coisas.
Cristo compreende nossas aflições
Quando falamos sobre paz e alegria, precisamos lembrar que Jesus Cristo não nos observa de longe enquanto enfrentamos nossas dificuldades. Ele conhece profundamente a dor humana. No Getsêmani, o Salvador enfrentou uma angústia que nenhum de nós consegue compreender completamente. Ele conhece nossas fraquezas, nossos medos, nossas perdas e as preocupações que talvez não consigamos explicar para mais ninguém.
Por isso é tão significativo que Paulo termine dizendo que essa paz guardará nosso coração e nossos pensamentos “em Cristo Jesus”. A paz cristã não significa ausência completa de dificuldades. Nossa paz está fundamentada em uma Pessoa: Jesus Cristo. Podemos não saber exatamente como determinada situação terminará, mas sabemos quem estará conosco enquanto a atravessamos.
Talvez uma das orações mais sinceras que podemos fazer em um momento difícil seja simplesmente: “Senhor, eu não compreendo tudo o que está acontecendo, mas não quero passar por isso sem Ti”.
O que estamos carregando hoje?
Gostaria de fazer uma pergunta que cada um de nós pode responder silenciosamente: o que está preocupando você hoje? Talvez seja alguma coisa relacionada à família, aos filhos, às finanças, ao trabalho ou ao futuro. Talvez seja uma oração que você faz há muito tempo e cuja resposta ainda não chegou da maneira que esperava. Talvez seja algo que ninguém aqui conheça.
Agora podemos fazer outra pergunta: eu realmente coloquei isso nas mãos do Senhor? Às vezes oramos sobre determinado problema, mas terminamos a oração e imediatamente começamos a carregá-lo novamente como se tudo dependesse exclusivamente de nós. Entregar algo ao Senhor não significa deixar de agir; significa reconhecer os limites daquilo que podemos controlar.
Existe uma diferença importante entre aquilo que está sob nossa responsabilidade e aquilo que está fora do nosso controle. Se precisamos conversar com alguém, devemos conversar. Se precisamos pedir perdão, devemos pedir. Se precisamos trabalhar, devemos trabalhar. Se precisamos procurar uma solução, devemos procurar. Se precisamos mudar alguma coisa em nossa vida, devemos ter coragem para mudar. A fé nunca foi um convite à passividade.
Porém, depois de fazermos aquilo que está ao nosso alcance, chega um momento em que precisamos dizer: “Senhor, fiz aquilo que pude. Agora coloco nas Tuas mãos aquilo que eu não posso controlar.”
Transformar preocupação em oração
Gostaria de deixar um convite simples para esta semana. Quando alguma preocupação surgir, em vez de permitir que ela ocupe continuamente nossa mente, podemos transformá-la em uma oração. Podemos falar sinceramente com o Pai Celestial sobre aquilo que estamos sentindo, pedir orientação e depois procurar motivos para agradecer.
Talvez possamos escolher, todos os dias, três coisas pelas quais somos gratos. Não precisam ser acontecimentos extraordinários. Podemos agradecer pela família, por uma refeição, por uma oportunidade de trabalhar, por alguém que nos ajudou ou simplesmente por mais um dia em que podemos tentar novamente. Ao fazer isso, não estamos negando nossas dificuldades; estamos lembrando ao nosso coração que elas não contam toda a história de nossa vida.
Depois, podemos fazer nossa parte e confiar no Senhor quanto ao restante. Talvez a resposta não chegue imediatamente. Talvez as circunstâncias demorem a mudar. Entretanto, podemos começar a experimentar a promessa de Paulo: “a paz de Deus, que excede todo o entendimento”.
Conclusão
Irmãos e irmãs, não sabemos tudo o que acontecerá amanhã e não conseguimos controlar todas as circunstâncias da nossa vida. Entretanto, podemos escolher onde colocaremos nossa confiança. Quando a preocupação chegar, podemos transformá-la em oração. Quando o medo aparecer, podemos nos lembrar das vezes em que o Senhor já nos sustentou. Quando a tristeza vier, podemos permitir-nos sentir aquilo que precisamos sentir, mas sem perder de vista a esperança que encontramos em Jesus Cristo.
Talvez uma das maiores demonstrações de fé seja conseguir dizer: “Senhor, eu ainda não compreendo, ainda não tenho todas as respostas e ainda não sei como essa situação será resolvida, mas confio em Ti.”
Testifico que nosso Pai Celestial ouve nossas orações e que Jesus Cristo conhece nossas dores, preocupações e medos. Acredito na promessa de Filipenses de que, quando apresentamos nossas petições a Deus por meio da oração, da súplica e da gratidão, podemos receber uma paz que ultrapassa nossa própria compreensão. Não necessariamente uma paz que surge porque todos os problemas desapareceram, mas uma paz que nos permite continuar mesmo enquanto algumas respostas ainda não chegaram.
Que possamos entregar ao Senhor aquilo que pesa em nosso coração, fazer com fé aquilo que está ao nosso alcance e confiar a Ele aquilo que não podemos controlar. E que, ao fazermos isso, possamos sentir a promessa se cumprir em nossa vida: “E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o vosso coração e os vossos pensamentos em Cristo Jesus.”
Em nome de Jesus Cristo. Amém.